sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Cerimônia do Picadeiro

Hoje foi a cerimônia do Picadeiro. Com a diplomação e posterior posse dos futuros parlamentares, o governo consolidou-se em uma grande grande piada. O Tiririca não é o palhaço, ele é a piada da qual ele mesmo ri, enquanto nós, os palhaços, choramos. E mesmo quando a grande parcela dos palhaços coloca no poder candidatos que não poderiam estar ali, nem o Ficha Limpa barra o Maluf que, passando por cima da lei, transforma-a em um grande rolo de papel higiênico usado para limpar a bunda.


É meus amigos, consciência é um bem cada vez mais raro de se encontrar, e quando você encontra, não estão em um número suficientemente grande para causar algum barulho. Parece que a consciência está em extinção e acaba sendo uma grande desvantagem tê-la, pois quem não tem sofre menos, está sempre rindo. É fácil ser feliz quando não se está ciente de estar vivendo na própria merda. Pra que saber em quem votar? Basta votar na piada que vai te fazer rir.


Quando alguns conscientes se revoltam e resolvem fazer barulho, não sabem fazer no lugar certo. Ao fazer um protesto cuja consequência é engarrafar ainda mais uma cidade caótica como São Paulo, o resultado será muitos paulistanos emputecidos, e aqueles que deveriam ser atingidos assistirão pela TV em suas confortáveis residências, sustentadas pelo salário astronômico aumentado em mais de 60%, aos palhaços fazendo bagunça. E tudo o que eles farão é dar risada de lá do alto do picadeiro.


Que venham os manifestos! É bom se mexer de vez em quando, mas atinja quem se deve atingir, e talvez seja o caso de, ao invés de apenas participar de manifestos, tomar consciência também antes de votar. Não se esqueça também de analisar e avaliar o seu caráter, porque somados, os caráteres de cada indivíduo compõem o caráter de uma sociedade, e é da sociedade que saem os políticos. Mas se é pra queimar pneus, talvez fosse melhor fazê-lo em frente ao parlamento, o centro do picadeiro, ao invés de criar mais um transtorno na vida de tanta gente.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Amizades e efemeridades

A vida é uma caixinha de surpresas, às vezes bem agradável, mas também pode ser bem amarga. As pessoas que passam por nossos caminhos são como presentes que recebemos. Podem também ser doces, amargas, suaves, duras, arrogantes, cheias de defeitos bem como cheia de qualidades.

Cada um que entrou na sua vida foi por um bom motivo, alguns saíram naturalmente, outros permanecem. Tantos outros devem entrar e permanecer, outros tantos devem entrar para igualmente sair. Não é nada demais, acontece naturalmente. Ninguém mantém até o fim dos dias todos os amigos que conheceu na infância, na adolescência e ao longo do caminho que percorremos, é o ciclo natural da vida.

Mas algo que sempre deve ser levado em conta é que cada pessoa que atravessou o seu caminho e lhe acrescentou algo de bom, tendo ela permanecido ou não na sua vida, tenha ela trilhado um caminho paralelo ao seu ou tenha ela dobrado a esquina para tomar outro rumo, tem uma marca especial no seu coração gravado para a eternidade, simplesmente porque não se apaga o que lhe foi acrescentado.

Aquilo que aproxima ou afasta as pessoas é algo tão delicado e tênue que chega a ser difícil perceber. Algumas pessoas entram na nossa vida e mesmo sem qualquer relação íntima ganha seu carinho e sua afeição incondicional. Outras por compatibilidade de alma, ou simplesmente compatibilidade de ideias invadem o seu campo intelectual e quando percebem já estão por horas perdidos em uma agradável e envolvente conversa.

O que as faz permanecerem ao seu lado ou tomar outro rumo pode ser tão efêmero quanto o ato de se aproximar. Um amor incondicional ou uma afinidade inexplicável pode manter unidas duas pessoas por mais de uma vida. Por outro lado, uma besteira, uma incompatibilidade de gênios, um orgulho ferido ou simplesmente um papel que tinham que desempenhar um ao lado do outro já cumprido podem afastar duas pessoas para sempre ou por tempo indeterminado até que haja um motivo para que se reencontrem novamente.

De uma forma ou de outra continuo trilhando meu caminho a cada dia, construindo-o com tijolinhos formados por pessoas maravilhosas que continuam entrando no meu caminho ao mesmo tempo em que outras saem. Mas todas igualmente têm um espaço reservado pra sempre no fundo do meu coração e gravado na minha alma, porque sem cada uma delas eu não seria hoje a pessoa que sou.

A todos vocês que fazem e fizeram parte da minha vida e me deram a oportunidade de crescer um pouco mais a cada encontro, um grande obrigado.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Ela não sabia sorrir

Andava retraída, fechada, o chão tomava conta da maior parte do seu campo de visão. Perdia os olhares à sua volta, esquecia do mundo, mergulhava em uma imensidão introspectiva ignorando o que a rodeava.


Era um mundo pequeno, cheio de certezas e convicções abrigadas por um castelo de areia recoberto por uma fina camada de cimento. A camada foi desgastando com o tempo, pouco a pouco aquelas certezas começavam deslizar com o castelo que começava a ruir.


O vento levava tudo aquilo que havia demorado alguns anos para construir e se proteger. Convicções se conflitavam, as certezas já não eram tão certas e tudo que lhe era claro de repente lhe parecia confuso. Olhava a sua volta e não percebia o quanto afastava os que lhe queriam bem e todos aqueles que algo de bom poderiam lhe trazer.


Foi quando se deparou com um sorriso, era um lindo sorriso. Pensou naquele sorriso dia e noite e quando tornou a encontrar seu dono, o sorriso não estava mais lá. Dia após dia ela comparecia para ver o sorriso, mas nada de ele brilhar. Ela se perguntava o que poderia ter acontecido. Afinal, porque alguém iria esconder um sorriso tão bonito? Foi então que tudo se esclareceu.


De sua boca um sorriso se esboçou e como que num passe de mágica, outros sorrisos começaram a brotar ao seu redor. Aquele lindo sorriso que estava apagado voltou a brilhar diante de seus olhos. Quando aprendeu a sorrir, a vida passou a fazer sentido.


 

domingo, 21 de novembro de 2010

Outra desculpa, mais um sorriso.

Por um instante esqueceu e então mais uma vez o sorriso apareceu. Outra desculpa, outra busca por uma razão, um motivo, um oi que dispara o coração. Um sorriso que encanta, que desperta curiosidade, que se esconde por trás da timidez e que se abre quando menos se espera. Lá vem outra desculpa, mais um sorriso, um oi e um bom dia.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Passaporte sem limites

A leitura não é apenas um mundo aberto, é uma infinidade de mundos inteiros, um universo a ser explorado. Descobri que ler é a melhor forma de fugir do chamado mundo real. Poesias, crônicas, contos, histórias, fantasias. Não há melhor forma de esquecer o que está a sua volta e viajar sem sair de casa. Nesse caso, minha leitura predileta são os livros de fantasia, histórias épicas cheias de aventura e magia, a imaginação voa longe, o coração acelera como quem vê ou vive a cena com vivacidade.


Não leio só porque é importante, muito menos é uma obrigação. Leio porque aprendi a amar e já não sei mais viver sem esse universo à parte. É minha inspiração, minha fuga, meu mergulho, meu passaporte para infinitas viagens. É um sopro de energia quando se sente esgotado, é uma gota de alegria quando se encontra em um mar de tristezas, é uma janela aberta para refletir o mundo, um sonho lúcido. É, enfim, parte da vida.