terça-feira, 28 de março de 2017

Diálogos do Trem - Uma compilação (Parte 1)

Acordar

- Que merda, parece um pesadelo quando o celular desperta.
- pesadelo?
- é, uma não consigo acreditar quando ele toca. Que merda quando o celular desperta, que merda meu! Não acredito que já é hora de levantar. É assim que eu acordo, acredita?
- muito ruim mesmo.
- não consigo nem abrir o olho. Vou pro banheiro com o celular na mão e volto pra dormir mais dez minutos.
- sério que você não abre o olho?
- sim, vou tateando tudo. Já falei pro meu marido, da próxima vez não quero nenhuma tomada perto da cama.

27/10/2016
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Desculpa pra quê?

"Desculpa? Que desculpa uma ova! Depois que inventaram essa tal de desculpa todo mundo pede desculpa e acha que tá resolvido. Taco logo essa merda na parede."

20/09/2016
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A Bíblia é feminista

- Quando que Jesus fez mulher ser submissa a ele? Tá na Bíblia que ele fez Maria, ou a Madalena, servir pra ele lá na mesa? Pelo contrário, todo mundo junto, tudo igual. Por isso que não gosto de debater com crente, não entendem nada. E quando ele fala homem, é o ser que que tá vivo. Não é o homem. Homem tem coração, mulher também, é tudo igual.
- Eu não leio a Bíblia, se eu lesse eu ia entender mais.

12/08/2016
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Amarração do Amor

Ela veio e me disse logo que me separei: "se você me trouxer uma camisa dele..." Olha pra minha cara, mulher, cê acha que eu vou querer ter homem por causa de amarração? A Dita tinha feito trabalho pro homem dela, e eles não estão juntos, não.

29/07/2016
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Presa ao preso

Esse povo fica criticando a minha sobrinha porque ela vai visitar o marido na cadeia. Eu falo pra eles "ele não traiu ela, ele roubou", cada um cada um, ué, coisa de ser humano, cada um tem seus problemas, todo mundo erra, ele pelo menos tá lá pra pagar o erro dele. Quem samo nois pra ficar julgando? Ela vai lá. Pelo menos ela tá com um valentão.

16/06/16
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Perfume do amor
- Eu vou no show
- Como se você não tem dinheiro?
- Eu faço nuns bico durante o dia e compro o ingresso de noite
- Vai comprar o meu e o seu, né?
- Sim, agora eu também tenho carteirinha de estudante, pago meia, só 60 conto, tá sussa.
- Tem carteirinha de estudante? Fez como?
- É do SENAI.
- Ahhhh
- Ainda tenho que comprar meu fone e meu pedal.
- O fone eu posso te dar de dia dos namorados mas um modesto, né, quanto será que sai?
- Uns 20 ou 30 conto.
- Ah, então eu te dou no dia dos namorados. Eu quero um perfume.
- Ah tá, de 70 conto, né!
- Ah..não, uns 50... Quero um Calvin Klein.
- E você vai me dar um perfume também?
- Claro que não, você não precisa ficar cheiroso, quem vai te cheirar? A Silvinha vai te cheirar? A Ana??
- Então eu não posso me perfumar?
- Só pra mim!
- Mas é só pra você.
- Ah tá, só quando eu to perto né...

12/05/2016
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Espírito Natalino

- Mãe, a gente tem que descer na Barra Funda, né?
- É Matheus, cala a boca.

24/12/2015
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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Do coração para o estômago

Uma palavra virada
e lá se vira o estômago
Uma lágrima rolada
e lá se vai o sono

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

O clichê sobre o mundo virtual

Há muito não vivemos apenas no mundo físico, não há como negar. Já é clichê lermos, ouvirmos ou fazermos diversas reflexões e discursos para discutir, reclamar, defender ou ponderar sobre a nossa vida virtual. Esse texto é apenas mais um deles. 

Algumas pessoas não ligam, vivem no mundo virtual e não estão nem aí, outras vivem apenas no virtual e nem se dão conta. Outras pessoas ponderam, tentam achar o equilíbrio, algumas rechaçam totalmente e abandonam de vez, ou sequer entram. Mas o ponto mais intrigante na revolta contra a vida online, a exposição nas redes sociais e a existência virtual, é quando começamos a reclamar disso tudo usando próprio Facebook como válvula de escape. 

Por que fazemos isso? Aí a gente entra naquela reflexão do equilíbrio, na clichê, porém necessária, conversa sobre equilíbrio. O equilíbrio de saber que as redes virtuais são parte dos avanços nas comunicações, e que o problema não está no mundo virtual, mas na forma como interagimos com ele. É o ponto de perceber que estamos presos na vida virtual até para reclamar dela, é quase como um alcoólatra ir ao bar para beber e se lamentar que o álcool não presta.

Para estabelecer um paralelo, basta lembrar que todo e qualquer avanço nas comunicações exige atenção, observação e reflexão. Não foi diferente com o telefone, que encurtou grandes distâncias mas distanciou as que já eram curtas. Não foi diferente com a televisão, que começou a nos mostrar o mundo, tirou a atenção da interação entre os convives de uma casa do centro de uma mesa para a frente de uma tela e começou a impedir que saíssemos por aí para ver o mundo com nossos próprios olhos. Não foi diferente com a popularização do celular que, com o SMS, tornou prática e rápida a comunicação do dia a dia, mas nos fez esquecer como é bom ouvir a expressão entonada na voz. Pra todos esses avanços sempre houve reflexão, ponderação, negação e aceitação. É diferente agora com tudo isso e muito mais reunido em um único aparelho à palma da nossa mão? Não, apenas é preciso um pouco mais de auto conhecimento e maturidade para lidar com a velocidade e o volume das informações e conexões que nos cercam e conhecer os limites para nos impedir de afundar nelas. 

Talvez seja muito difícil estabelecer esses limites para uma boa relação com nossas redes sociais. Um caminho pode ser a auto observação. Interagir, aproveitar tudo que há de bom no que essa tecnologia virtual pode nos oferecer: ver as fotos do filho acabou de nascer daquele amigo distante; trocar ideias com pessoas do outro lado do mundo; aproximar-se de outras culturas; estabelecer uma rede de contatos. Mas também perceber quando o mundo virtual nos suga, quando o volume de informações e ódio espalhado na rede nos perturba, o cansaço por não conseguir absorver tanta informação. E então, quando sentir vontade de usar a internet para dizer sobre o quão ruim é viver com ela, deixe-a de lado. Ou seja, desconecte-se de fato, seja por umas horas, alguns dias, ou semanas. Aprender a selecionar o que vemos ou ou que divulgamos de conteúdo informativo ou pessoal, perceber os limites, encontrar o caminho para não negar totalmente o mundo virtual - afinal, ele está ai e faz parte do mundo que conhecemos hoje - e para não nos perdermos dentro dele. 

A palavra chave, afinal, para todas as instâncias da vida, será sempre equilíbrio, e nem sempre é fácil encontrá-lo. 

E quem disse que a vida seria fácil?

domingo, 19 de junho de 2016

Poesia de prosa

Eu preciso de um poema
de uma flor
de um dilema
de uma dor
que algum dia
leu nas veias abertas
na prosa da poesia
de palavras não ditas
dentro do dilema
daquela dor
do seu poema
da minha flor.

terça-feira, 8 de março de 2016

Ser mulher


Ser mulher é ser guerreira. 
É ter vocação para ser mãe, e também para não ser. 
Ser mulher é ser esposa, é ser namorada.
É ser solteira, separada, divorciada.
É ser dona de casa por habilidade, ou apenas por obrigação.
É ser profissional.
É também não ser dona de casa. 
Ser mulher é ser o que ela quiser. 
Ser mulher é lutar pela liberdade de ser por si, sem estereótipos.
Hoje, e sempre, presenteiem-nos com respeito. 
Depois podem vir as flores e os chocolates, a gente fica feliz e agradece.
Feliz dia internacional da mulher!