segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A novela das sacolas plásticas

A Associação Paulista dos Supermercados resolveu bancar o Super-Heroi Verde. As sacolinhas de plástico pararam de ser distribuídas e agora o mundo pode respirar tranquilo. Não haverá mais toneladas de lixos e poluentes atirados aos rios – nem é preciso levar em consideração que o que menos se encontra nos rios são as sacolinhas, mas isso não é problema – afinal agora o programa de reciclagem será devidamente implantado e a água do Tietê voltará a ser potável.


Todavia, os grandes empresários do comércio alimentício precisam receber algum benefício por tamanha benevolência. Por esse motivo, o custo que com as sacolinhas que era embutido no preço final do produto não será abatido do valor final. E você ainda poderá comprar sacolinhas para levar suas compras para casa e contribuir para aumentar o lucro dos mercados. Assim todo mundo sai ganhando.


Ah, não? Bom, pelo menos os donos de supermercado ganham – e duas vezes! Além de não gastar mais com sacolinhas plásticas, você continua pagando por elas ao fazer compras pelo mesmo valor que costumava fazer quando havia distribuição de sacolas, e ainda pagará para comprar sacolinhas (afinal, sacola comprada não polui!). Mas não se preocupe, ainda há a opção de optar pela sacola retornável. Quanto ao lixo que você costumava descartar nas sacolinhas do supermercado, as sacolas plásticas continuarão a ser usadas para esse fim, a diferença é que você precisará pagar por elas.


Está feliz? Então coloque um nariz de palhaço na sua cara e abra um largo sorriso e sacuda a bandeirinha verde. Caso não esteja, ainda há esperança: por determinação da justiça, as sacolinhas devem voltar à distribuição sem cobrança nos supermercados. Entretanto, levados pelo discurso ambiental falacioso que mascara o real interesse da campanha antissacolinha, alguns ambientalistas compraram a ideia e são contra o retorno dessas vilãs do planeta. A estes, o bolso dos empresários agradece.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Coisas de menina

Suspiro: sentimento que nasce admiração crescente por aquele que encanta. Ceder a esses encantos não é lá muito difícil. Na verdade, dadas as devidas circunstâncias, é consideravelmente fácil. Basta um tropeção, mera distração ou desvio de atenção, para envolver-se com o charme que, se não lhe é inerente, é consequência da posição. Posição injusta que impõe a unilateralidade, mas que desperta uma onda de suspiros platônicos e de idealizações que enxergam, em cada gesto, o olhar da pessoa amada. Coisas de menina.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A arte da existência

O universo artístico é, dentro de suas variantes – sejam elas as artes plásticas, a música, a literatura, o cinema, a fotografia e todos os desdobramentos de cada categoria – o meio de expressão humano em qualquer momento da história. Desde os primórdios, a arte se mostra, através de registros pitorescos nas cavernas e pequenas esculturas, como a Vênus de Willendorf do período paleolítico, um espelho para a sociedade à qual ela pertence.


A manifestação artística é, portanto, inerente à humanidade. A arte reflete pensamentos e ideias pertencentes a um determinado tempo. Ela é também fundamental para quebrar paradigmas dessas mesma ideias estabelecidas e arraigadas, além de resgatar antigos valores, sejam de ordem ética ou moral, dando a eles uma nova roupagem e fazendo a releitura necessária para adaptá-los à atualidade corrente. Tal processo é perfeitamente exemplificado com o Renascimento Cultural da Europa medieval, o qual buscou resgatar valores da antiguidade greco-romana.


História e arte, dessa forma, caminham lado a lado em uma relação de mutualismo. E, sendo a arte um reflexo da sociedade e do momento histórico, é fácil, talvez, entender os rumos artísticos da contemporaneidade. Ela nasce de uma postura social consumista-individualista que transformou o universo artístico em um mero mercado, tão vazio quanto o próprio âmago existencial.


O pensamento contemporâneo, portanto, engloba todo o comportamento capitalista e, concomitantemente, encontra o caminho entre artistas que, de uma forma ou de outra, buscam preencher esse vazio deixado pelo consumismo e individualismo, refletindo e resgatando valores existenciais por vezes esquecidos, garantindo o movimento pendular que caminha entre as correntes artísticas ao longo de toda a existência humana.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Retrospectiva 2011

Os ajudantes mágicos do wordpress.com mostram as estatísticas de 2011 para esse blog.

Eu gostaria de agradecer ao meu pai, à minha mãe, a você e a todos os amigos da escola.



Os números:
Um comboio do metrô de Nova Iorque transporta 1.200 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 6.900 vezes em 2011. Se fosse um comboio, seriam necessárias 6 viagens para que toda essa gente ser transportada.

Clique aqui para ver o relatório completo!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Onde está o seu Ano Novo?

Eu desejava produzir um texto para o ano que chega, como costumo fazer nessa época festiva. Mas, por alguns dias, pensei que, nos anos anteriores, eu já tivesse esgotado tudo que eu eu poderia escrever sobre o ano novo e que para a virada 2011-2012 não viria nenhuma produção literária. Até ouvir, de uma professora, a seguinte pergunta: “Onde está o seu ano novo?”. A pergunta, por mais simples que possa parecer, ofereceu-me muita reflexão e gerou ideias para um novo texto a respeito dessa época que tanto nos enche de expectativas.


A virada do ano é uma data simbólica, representa o fim de um ciclo e início de outro, é natural, portanto, que venham com ela tantas esperanças e façamos tantos planos e promessas para os ano que nasce. No momento em que chega a meia noite de 31 de dezembro, abraçamos nossos familiares e amigos, desejamos os melhores votos, estouramos frisantes, fazemos promessas e todo tipo de ritual em busca de sorte: oferecer flores à Iemanjá; pular sete ondas; comer lentilha; colocar folha de loro na carteira. E então passam os dias, meses, e tudo aquilo que desejamos com tanto entusiasmo, cai no esquecimento.


Desejar o melhor para nós e os nossos é fácil, difícil é dar um real significado a todos esses votos de final de ano, afinal, de nada adianta o calendário seguir em frente se nós continuamos estagnados. E é aí que entra a pergunta: onde está o seu ano novo? O ano novo pode ser seu aniversário, um dia qualquer que, por algum momento epifânico, você resolveu mudar; pode ser ele todos os dias, a cada dia uma mudança gradual.


Portanto, ao chegar o primeiro segundo de 2012, celebre, beba, coma, reze, ritualize, deseje e faça promessas, mas dê significado a tudo isso. Seja qual for seu desejo, esteja você prestando vestibular e almejando a tão sonhada vaga na universidade, planejando um novo emprego ou entrar em um relacionamento bacana, saiba que é você — e só você — que pode fazer o seu Ano Novo.


“É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.” (Carlos Drummond de Andrade – Receita de Ano Novo)